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Morte Invisível

  • Foto do escritor: Fabiano Mendonça
    Fabiano Mendonça
  • 21 de jun.
  • 1 min de leitura

Era fim de tarde quando eu passava pela Passarela da Lagoinha. A alguns metros à minha frente, observei um pequeno ajuntamentode pessoas, murmurando e fixando os olhares para baixo. Me aproximei, juntando-me ao grupo, também fixandoo meu olhar para o mesmo local dos demais. Vi uma cena dura, inquietante: um corpo inerte estendido no asfalto, circundado por sangue. Diziam que era uma pessoa em situação de rua que acabara de se jogar.

Foi inevitável a reflexão: quantas outras mortes em vida ele havia sofrido antes de chegar a esta última morte? Quantas outras forças contribuíram para o seu derradeiro salto?

Apagamento da identidade!

Bloqueio do acesso mais amplo à cidade!

Vulnerabilidades estruturais neste lugar de desigualdades!

O racismo que, aos poucos, vai ceifando a vida!

Quem por ele iria chorar?

Quem choraria a morte de mais um invisibilizado?

Mais uma vida reduzida na frieza da estatística!



 
 
 

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© por Fabiano Mendonça

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